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Andropausa é o termo popular para a queda gradual da testosterona em homens após os 40 anos. O termo médico correto é hipogonadismo de início tardio — uma condição real, mas que precisa ser diagnosticada com critério, porque os sintomas se confundem com os do envelhecimento normal.

O que é andropausa

Diferente da menopausa feminina, a andropausa não é uma interrupção abrupta da produção hormonal. É uma queda lenta e progressiva da testosterona, com cerca de 1 a 2% de redução ao ano a partir dos 40 anos. Nem todo homem com queda da testosterona desenvolve sintomas — alguns chegam aos 70 anos com níveis perfeitamente funcionais.

O nome técnico é hipogonadismo de início tardio (ou hipogonadismo funcional), reservado a homens que apresentam ao mesmo tempo dois requisitos: sintomas clínicos compatíveis e dosagens laboratoriais baixas de testosterona em mais de uma ocasião.

O que distingue andropausa de envelhecimento normal é justamente a presença de sintomas com impacto significativo na qualidade de vida — e a confirmação por exames.

Sintomas mais comuns

Os sintomas se dividem em dois grupos. Os sexuais são os mais específicos e geralmente os primeiros a aparecer:

  • Queda da libido (desejo sexual)
  • Redução ou ausência das ereções matinais
  • Disfunção erétil
  • Dificuldade para atingir o orgasmo ou redução da intensidade do orgasmo

Os não-sexuais são menos específicos e podem ter outras causas:

  • Fadiga e cansaço persistente
  • Perda de massa muscular e ganho de gordura abdominal
  • Queda de humor, irritabilidade ou sintomas depressivos
  • Dificuldade de concentração e memória
  • Sono fragmentado ou não reparador
  • Ondas de calor (raras, mas possíveis)
  • Redução de pelos corporais e densidade óssea (em casos avançados)

A presença de vários desses sintomas, especialmente os sexuais combinados com fadiga e queda de humor, é o sinal de alerta que justifica investigação.

Por que a testosterona cai

A queda da testosterona com a idade tem duas componentes: uma fisiológica, ligada ao envelhecimento do eixo hormonal hipotálamo-hipófise-testículo, e outra funcional, que decorre de condições associadas — muitas delas reversíveis ou tratáveis.

Fatores que aceleram a queda:

  • Obesidade — tecido adiposo converte testosterona em estrogênio e reduz a produção hormonal
  • Diabetes tipo 2 e síndrome metabólica
  • Apneia do sono e privação crônica de sono
  • Uso prolongado de corticoides, opioides ou alguns medicamentos psiquiátricos
  • Doenças crônicas (insuficiência renal, hepática, doenças autoimunes)
  • Estresse crônico e consumo excessivo de álcool
  • Sedentarismo

Em homens jovens ou de meia-idade com testosterona baixa, frequentemente o problema é mais funcional do que puramente etário — e tratar a causa subjacente pode normalizar os níveis sem necessidade de reposição hormonal.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de andropausa exige sintomas clínicos + dosagem laboratorial confirmada. Não basta uma dosagem isolada baixa: testosterona oscila ao longo do dia e entre exames, e medidas tomadas em momento inadequado podem confundir o diagnóstico.

Coleta correta da testosterona

  • Sangue colhido em jejum, entre 8h e 10h da manhã, quando a testosterona está em seu pico fisiológico
  • Duas dosagens em ocasiões diferentes, com pelo menos algumas semanas de intervalo
  • Idealmente realizadas em laboratório confiável com método validado

Valores de referência

  • Testosterona total acima de 350 ng/dL: andropausa improvável
  • Entre 231 e 350 ng/dL: zona intermediária, depende dos sintomas e de outros exames
  • Abaixo de 231 ng/dL em duas dosagens, com sintomas compatíveis: diagnóstico provável

O urologista pode complementar com dosagens de LH, FSH, prolactina, SHBG, hemograma e perfil metabólico, conforme cada caso.

Tratamento — mudanças de estilo de vida vêm primeiro

Quando há fatores reversíveis identificados, o primeiro passo é tratá-los. Em muitos homens, isso é suficiente para normalizar a testosterona e os sintomas:

  • Perda de peso em homens com obesidade — pode elevar a testosterona em 30 a 50%
  • Atividade física regular, especialmente musculação e treinos de força
  • Sono de qualidade — 7 a 9 horas por noite, com tratamento da apneia se houver
  • Controle do diabetes, hipertensão e dislipidemia
  • Redução do consumo de álcool
  • Manejo do estresse e tratamento de transtornos de humor

Esse pacote, aplicado por 3 a 6 meses, pode resolver casos leves a moderados sem necessidade de hormônio.

Reposição de testosterona — quando é indicada

A reposição hormonal masculina (TRH ou TRT) é uma opção real, mas não é para todos. As principais sociedades de urologia (AUA, EAU) recomendam reposição apenas quando:

  • Há sintomas significativos com impacto na qualidade de vida
  • Há duas dosagens confirmadas de testosterona baixa
  • Foram descartadas e tratadas causas reversíveis
  • Não há contraindicações (câncer de próstata ativo, câncer de mama masculino, policitemia importante, apneia grave não tratada, insuficiência cardíaca descompensada, desejo de fertilidade no curto prazo)

O tratamento pode ser feito com gel transdérmico, injeções intramusculares de curta ou longa duração, ou comprimidos orais (menos usados). A escolha depende de perfil, preferência e custo.

O acompanhamento envolve consultas e exames periódicos para monitorar PSA, hematócrito, função hepática e resposta clínica — tipicamente aos 3, 6 e 12 meses no início e depois a cada 6 a 12 meses.

Riscos e mitos sobre a reposição

A reposição de testosterona acumulou mitos ao longo dos anos. Os principais pontos esclarecidos pelas evidências atuais:

  • Não causa câncer de próstata em homens sem a doença, mas pode acelerar tumores pré-existentes — por isso a investigação prévia é essencial
  • Pode elevar o hematócrito e exigir monitoramento, especialmente em fumantes e em quem tem apneia
  • Reduz a fertilidade enquanto é usada — homens em busca de filhos não devem fazer reposição
  • Não é substituto de hábitos saudáveis — sem mudança de estilo de vida, os ganhos são limitados
  • Não é doping de academia — doses fisiológicas, prescritas e acompanhadas, não causam os efeitos de doses suprafisiológicas usadas por atletas

A reposição mal indicada ou mal monitorada é prejudicial. Bem indicada, melhora libido, disposição, humor, composição corporal e densidade óssea de forma significativa.

Quando procurar o urologista

Vale a avaliação urológica quando o homem apresenta pelo menos dois desses sinais persistentes por mais de 3 meses:

  • Queda do desejo sexual ou desaparecimento das ereções matinais
  • Disfunção erétil progressiva
  • Fadiga persistente sem causa aparente
  • Perda de massa muscular apesar de manter alimentação e atividade
  • Mudança de humor ou irritabilidade fora do habitual

A avaliação inclui história clínica detalhada, exame físico, dosagens hormonais e investigação de comorbidades. O objetivo é distinguir andropausa real de outras causas — depressão, hipotireoidismo, anemia, doenças crônicas — que produzem sintomas semelhantes.

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Perguntas frequentes

Andropausa é igual à menopausa feminina?

Não. A menopausa é uma interrupção relativamente abrupta da produção hormonal feminina em torno dos 50 anos. A andropausa é uma queda lenta e gradual da testosterona ao longo de décadas, e não atinge todos os homens com a mesma intensidade. Alguns chegam aos 70 anos com níveis normais.

Com que idade a andropausa costuma aparecer?

A queda da testosterona começa por volta dos 40 anos, mas os sintomas tipicamente surgem entre os 50 e 60. Homens com obesidade, diabetes, apneia do sono ou outras comorbidades podem apresentar sintomas mais cedo, às vezes na década dos 40.

Posso fazer reposição de testosterona só para melhorar desempenho ou energia?

Não. A reposição é indicada apenas quando há sintomas significativos somados a dosagens confirmadas baixas. Usar testosterona com níveis normais pode trazer riscos sem benefício real e não está respaldado pelas diretrizes médicas. Para energia e disposição, melhorar sono, alimentação e atividade física rende mais.

A reposição causa câncer de próstata?

As evidências atuais não mostram que a reposição cause câncer de próstata em homens sem a doença. Mas, em homens com câncer ativo ou tumores ainda não diagnosticados, a testosterona pode acelerar o crescimento. Por isso o rastreamento prévio e o acompanhamento periódico são obrigatórios.

Existe tratamento natural que aumenta a testosterona?

Sim, no sentido de que mudanças de estilo de vida têm efeito real: perder peso, dormir bem, treinar com peso, reduzir álcool e controlar comorbidades elevam a testosterona em muitos homens. Suplementos vendidos como naturais raramente têm eficácia comprovada — atenção a propagandas que prometem resultados rápidos.

Referências

  1. Mulhall JP, Trost LW, Brannigan RE, et al. Evaluation and Management of Testosterone Deficiency: AUA Guideline. American Urological Association, 2018 (atualizado em 2024).
  2. Salonia A, Bettocchi C, Carvalho J, et al. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health — Male Hypogonadism. European Association of Urology, 2026.
  3. Corona G, Goulis DG, Huhtaniemi I, et al. European Academy of Andrology (EAA) guidelines on investigation, treatment and monitoring of functional hypogonadism in males. Andrology. 2020;8(5):970-987.

Tem dúvidas sobre seu caso? O Dr. Marcos Kaddoum atende em Cachoeiro de Itapemirim e oferece avaliação especializada.

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